domingo, 27 de janeiro de 2013

Sede de Você


Que seja ...
A sede 
insana 
Em entregar-se de bandeja 
Ao tato ,ártifice
Porção venal
sob a pele que lateja
No faro letal
do exposto  segredo 
Toma-me o medo
Asfixia : tua lingua
anuncia no céu rubro da boca
o gosto  impuro
de todos os anjos 
aprisionados na vertente
de nossas improvaveis
loucuras
Artérias artísticas
enjauladas no prazer
de pertencer sem motivos
à todos os nossos perigos
 

                     (M. Almeida )



                          












                                                               

Libra



Na ponta dos pés que dançam
na curva das suas tranças
sob os saltos se equilibra
Oscila a sua balança
entre a mulher e a criança
entre a espada e a vida
Libra :
a filha mais bela vênus
aquela que despe o que vemos
tirando os véus da verdade
Harmônica por natureza
amante da luz e beleza
tem a arte por sua vaidade
Do barro que molda o jarro
Da nota que cria a sinfonia
da tinta a sangrar os textos
das mãos a tecer as vestes
Os pés que rodopiam inquietos
em um bailado de alma e corpo
Da tinta que beija a tela
criando as cores da aquarela
ao mármore violetado
pelo ferro do escultor
a arte é o que motiva
e o que llhe amansa
ela nunca cansa
Discípula da avidez
nem sempre com sensatez
usa as armas que herdou
O encanto e a elegância abrem-lhe todas as portas
mas o maior dos seus pecados
é saber-se não alada
e ainda assim
valente e crédula
atirar-se sem receio
ao precipício do amor
 



                                                             ( M. Almeida )

                                             

sábado, 19 de janeiro de 2013

É VOCÊ Quem Eu Amo

                 

Quem é você que se torna o único rosto de todos os meus textos e me faz gestar pretextos em poesias univitelinas pra cercear tuas rimas ? 
Quem é você que me veste de estrelas com a magia das palavras sequetrando-me do universo para inventar-me em versos ?
Quem é você que me subscreve sob a própria pele para rasurar-me a razão ? Assuma logo sem culpa o seu trono em meu coração... 
Séras professor dos desconhecidos caminhos da minha alma
Serás maestro ,mágico ,amante ,a a me ensinar tua cor
Serás mais mais que um escudo, que um homem ,um poema
Serás sempre o meu amor  ...
Quem é você que me abraça no escuro sem desconfiar que é a única luz na minha estrada ? DE VOCÊ EU QUERO TUDO.APENAS TUDO ! Mais nada... 
Á VOCÊ eu rendo  todos os meus tributos  todos os meus intuitos,todas as madrugadas


                                                             ( M. Almeida ) 

                                              


                                              

                                                      

sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Criador e Criatura



Recria-me à tua imagem e desejo
Escreve em mim o  beijo
que o tempo nos roubou
Recria-me à semelhança dessa arte
que torna tua a minha parte 
Que timbra teu todo o meu amor
Criador e criatura enclausurados
sob a venda da redescoberta
Toca-me de alma aberta mas 
toma  ti a minha essência
Guarda o abraço inteiro a prender
todos os primeiros ,todos os primordios
todos os corpos vestidos por nossa faces 
nosso amor.
Recria-me sem entender que me criei teu molde para
escrever você.... e escrevendo crio-nos, minha razão de viver

( M. Almeida )

      

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

A garota Que Morava Distante




A garota que morava distante namorava as estrelas mas não ousava conta-las para não acordar o dia.
Os dias lhe namoravam a pele mas ardiam-lhe .E eram quase sempre muito corridos.
Morava tão longe,tão longe de quem amava ,tão longe do local aonde estudava ...que as vezes podia sentir como se morasse longe de si mesma...por tantos quilômetros que a separavam de coisas que lhe importavam um tanto.
Caminhava a passos largos  na calçada,distanciando-se mais ainda do mundo entretida com os seus proprios passos rápidos,que sempre eram tentativas desritmadas de distrair os pensamentos e sentimentos que pareciam ser mais velozes que todas as suas distâncias incauculadas.
Nem  olhava as pessoas nos olhos porque as pessoas que a olhavam nada mais eram que  reflexos adormecidos de uma cidade doentia e fétida aonde o calor derretia a alegria mas não destruía os ponteiros que a faziam chegar sempre atrasada a todos os lugares. Os abismos saltavam, dela para o mundo real.Rodeava-se de fossos imaginários ,como se o pequeno corpo fosse um castelo protegido por todos os reflexos de autodefesa contra qualquer aproximação.Recusava-se a fazer parte do que a rodeava .Não lhe cabia por não ser leve .Assim como os anos ,que ela não permitiu que se intalassem sobre o brilho dos olhos e sob os sonhos.A idade indefinia-se a cada segundo.Alguns afirmavam que tinha algo mais que vinte e poucos anos ,outros,que teria pouco mais que trinta.Ela não fazia questão de lhes tirar as dúvidas porque até já chegara a duvidar tambem de quanto tempo  havia vivido (algumas vezes,por milagre,sobrevivido ) Não lhe cabiam  os medos (que ela parendera a usar como estopim para enfrentar a si mesma tantas e tantas vezes) embora os tivesse sim .TANTOS !
Mas a essa altura do relato ela já devia estar  quase  concluindo o percurso da Rua do Canal ,a uma boa distância da sua casa ,mas que fazia questão de percorrer à pé porque necessitava exercitar-se ,tamanha era a inquietude dos desejos que viviam a pular ora do peito para mente,ora da mente para os poros.
Era uma parada de ônibus distante que a esperava ,mas bem mais rápida.Economizava-lhe 45 minutos de engarrafamento em uma orla esburacada e depedrada pela maresia e pela ação dos homens .E valia tanto a pena.Para estar naquela sala,beber a magia das palavras ,sentir-se inudando-se da segurança que o conhecimento proporciona ,muito mais valia a pena ! Vários pontos ,varios pavilhões ,varios ônibus.Nem sempre dormia em casa .A tia morava quase vizinha à o Campus principal  então sempre que podia  dormia lá para não chegar atrasada à aula do dia seguinte .E ainda assim as " lonjuras "lhe habitavam porque sua mente ousava vagar a céu aberto mesmo na clausura do corpo e sem hora prevista.Porque seu coração atravessava o vazio preenchido de pensamentos alheios para brincar de entender o que a maioria das pessoas nunca aprenderia em livros.
Um endereço certo ela sabia.Havia ! Mesmo quando a maioria das idéias pareciam estar perdidas tinham uma  direção.
O lugar aonde os ventos eram amigos das suas palavras e perfumavam seus recados com a essência de si mesma .Um lugar aonde o vento a levava a passear entre o aqui e o amanhã.Um amanhã que nem era tão distante para quem habita a terra mas vive no mundo da lua


                                               ( M. Almeida )




terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Medida Desmedida






Um surto furta-cor ,dançante sobre os olhos que beijam o retrato
A ânsia de explicar detalhes ,de entender que vale...vale tanto por
qualquer guerra,em qualquer canto .
Um pêndulo girando tonto é a parte mais proibida :a maçã suculenta da vida é tentação de escorregar sobre o chão ,rasgada ,desalinhada ,vencida esgotada por falta das mãos que sabe,a sabem....ao redor da sua cintura bem segura .Como ou quem segura a garra que arranha por barganha? Maltrata-se por artimanha de afugentar o medo.Há mais insanidade dentro do segredo no contorcer dos dedos sobre a parede.A rede é  ama da captura.Onda de loucura ,furando o cerco do bom senso.Em troca da propria  dor pra controlar o suor que lubrifica  a têmpora ,urra,lamenta-se...Mas tenta.Provocação que não aguenta.Levanta.Senta.Levanta .Senta.Caminha em círculos.Ridículo !!A fera domesticada em circo quase arrebenta o picadeiro .Uma jaula de meias palavras e meia grade envergada sobre o peso de um parágrafo incidental que não por acidente imagina-se  ato.
  Há muito mais por trás  da máscara de aparente calma .Há mais da alma que preserva-se  desatinando-se a  transgredir pra pedir: MAIS . Bem mais de alguma coisa que a sede não sacia ,ainda que a água fria escorra-lhe da boca pra regozijo 
do travesseiro.Bem mais do que a palavra impudica que evita tornar-se pública.
No fim ,a torneira da pia escorrendo uma cachoeira artificial de alento incolor pra os olhos.Uma parede quase arroxeada pelos murros.Uma boca cinzenta de afogar-se no vinho do ciúme  impotente .Resvalos de múrmurios engolidos com os soluços fingem  rasgar os mapas traçados pelo ardil ,pra encaixar as peças horizontalmente
Sim...um corpo inerte na cama ... plainando sobre a pergunta que a consome até o fim :   - Quanto da falta desse homem ainda cabe dentro de mim ?

                                           

                                                                     ( M. Almeida ) 


                                                            



                                                    

Um Despertar Caótico



 

Despertou como se da morte.Um fantasma esvaindo-se do corpo físico após ter sido usada como quebra molas para deter um trem descarrilado.Que sentido fazia tentar descobrir as horas se já havia perdido o compromisso da manhã ? Se havia perdido um compromisso que pensara ser pra tantos amanhãs?
Buscou as palavras certas para tranquilizar o espelho mas quase não pôde reconhecer o próprio rosto desfigurado pela dor .Um olhar de um nada ver. Pior:um olhar de nada a ver !Porque já não se reconhecia .Aquela pessoa diante do espelho não tinha absolutamente nada a ver com a garota de dois dias atrás .Pela primeira vez percebeu a opacidade na íris.Um rosto quase sem vincos mas de uma expressão sexagenária que pouca vezes vira em toda a vida.Cadavérica.
Pensou com certa ironia que Steven spileberg ficaria feliz em escala-la para figurar em um filme de zumbis.Feliz ?Sim, pela economia de maquiagem e de tempo para operar a transformação teatral.
 Bem poderia usar a pasta de dentes como bálsamo para olheiras.Espalhara um pouco sem motivo algum sobre os arranhões no pulso e sentiu a gostosa sensação do contato do mentol com a pele.Buscou  a frase certa para tentar justificar a si própria o sentido de tudo aquilo.Não havia...
 Mastigou os parágrafos com pedaços de pão adormecido.Jogou fora o café amargo.
De amargor bastava-lhe o seu.O estômago embrulhado pelo vazio era mais que um estômago vazio: o vazio não era pela falta do jantar da noite anterior .Era também o vazio existencial do amor que lhe subira à cabeça e entalara na garganta tirando-lhe do rosto os ultimos resquicios de protetor solar com as lágrimas.Lágrimas que fizeram-lhe ver pontinhos coloridos na tela em branco e que escorreram junto com pedaços de coisas bonitas e invisíveis que não podiam ser vistas,explicadas ou tocadas.É...talvez por não poderem ser vistas ou tocadas ,essa coisas bonitas não fossem reais .Quem saberia dizer ?!A única coisa que sabia é que as lágrimas sim,eram reais.E haviam limpado os restinhos de poeira do dia das pontas dos longos cílios.Quantas gotas teriam caído dos seus olhos ? A única certeza que restara era a de que nunca saberia dizer exatamente,ainda que quisesse.
Nem entendia tanto assim de ciências exatas.Ela,inexatamente subdividida entre a lógica e o sentimento,sempre.Sua área era a de humanas.Escolhera as Ciências humanas.Não .Não ela !O seu coração escolhera como sempre .A paixão pela possibilidade de encontrar algum tipo de justiça ( ou de ser instrumento dela ) em um mundo tão injusto .E a única esperança era encontrar uma chama real de humanidade naqueles livros e códigos de legislação,para que não pudesse se recordar ( pelo menos por enquanto ) que sua pessoa era apenas mais um número no mundo.Um número de RG .Um número de telefone.Um número de CPF.Um número no endereço.Um número no perfil da rede social. Um número na  fila de contatos da agenda de um provável amor ...e futuramente um número no atestado de óbito.
Subtrair-se para acrescentar sorrisos.Diminuir-se para multiplicar o contra-cheque...Dividir-se para caber dentro do coração de todas as pessoas que amava e de todas as circunstâncias espaciais limitantes que a vida lhe impusera.Fracionar-se para não se despadaçar inteira em desepero.
É...quem sabe algum dia conseguisse caucular os riscos de equacionar-se tanto...



                                                 ( M. Almeida ) 


                                       

sábado, 12 de janeiro de 2013

Vika


Estendia-lhe a mão fascinada , tão pequenina era 
O coração se enchia de alegria ao sentir o toque 
daquele pequeno ser assemelhado à uma fadinha. 
Um biscuit de cachinhos cor de mel e olhos vivazes
Pensei nisso ao dar-lhe o nome .Chamei-a vida.
Trouxe-a à vida  sem perceber que era a minha que ganhava um sentido 
graças à sua existência .
Encantava-me leva-la àquela distante e desconhecida terra da minha imaginação
-uma icógnita até para mim mesma .
Uma criança tentando proteger a outra  da feiura do mundo real que as rodeava...
Uma criança tentando amparar a outra até mesmo de si  e das primeiras marcas que a vida começava a imprimir na pele da consciência.
Bonequinha  morena ,a magia da admiração em seus olhinhos negros,doava aos meus o poder de tecer as mais suaves histórias e canções de ninar .Nossas viagens  à "dream's Land" em uma nave particular contruída só de amor e sopros doados pelo vento noturno que beijava as paredes frias da  velha casa
Abraçadas mais que em corpo , em alma e pensamentos penso que aceditávamos ser imortais e conseguir deter a devastação da inocência causada pelo tempo ( difícil vê-lo como amigo)
Contos ,estórias ,lendas...uma tentiva de colorir a nossa própria história.
Nenhuma jamais conseguiu ser tão linda e mágica quanto a sensação daqueles momentos de aconchego ... nenhuma seria capaz de descrever a perfeição daquela paz momentânea ou o privilégio de sentir a sua presença miúda ,macia e perfumada adormecendo entre os meus braços 

 

                                                        ( M.Almeida )

Pra Vika ,minha bonequinha morena de cachinhos dourados ( sempre vai ser )
                                                       
                                                   




                     

O Parto



Encapsulado  em atos
cresce o e agoniza o  corpo
martiriza a entranha que o nina  mas
já  não há socorro ou bisturi que extirpe o sentimento
A agonia de uma gestação atípica
aonde o feto repugna o organismo que o nutre
num apego inútil à morte
Com sorte seríamos consortes
Mas entre todas as contrações
das palavras sublinha-se o corte rasgado pelo medo
Reviram-se as visceras para expurgar o que a habita
Reviram-se os olhos a enclausurar as lágrimas  revistas
pelo que de tão puro recusa-se a vingar
Apenas semente e já ameçada pelo ceifo
Apenas amor , de veia expostas e cordão unificado
por onde passam os mesmos sonhos ,tão mesmos
temores.Malfadados
A simbiose perfeita que  outro corpo rejeita
dilacera os músculos espasmodicamente
como a esperar que eu própria o mate.
A cada manhã nascida ,quase sinto-o em meu ventre
e acaricio-o em mim como a pedir que sobreviva
à propria fome de destruição.Como se o calor
das minhas mãos pudesse conter o ímpeto  do
coração que bate quase como se dentro do meu proprio corpo.
Prenhe de ilusões sim  , grávida de tuas palavras
que se afogam amnioticamente no pulsar involuntário da  mente
A luta premente é conter o pequeno grão
que se desenvolve sem noção da propria força
É um parto
Todos os dias a decidir que fica-me
enquanto deseja que eu parta.
Para não partir eu  grito: reflexo inconciente de quem protege o que ama
Para não partir,parto-me ...
E por todas as vezes,temendo sobrevir à escuridão morna do útero
e enfrentar a luz da realidade ,sangra-me
Tu...
Sangra-me




                                                


                                                                   ( M. Almeida )



                                                       




                                                     


                                        

domingo, 6 de janeiro de 2013

Ausência Presente


Entre todas as estrelas despontam-me teus olhos
Fogos de artíficio
encimando à solidez inconcreta
de edifícios...é difícil
Despontam-me indícios
de nós
Há voz naquilo que calo
Há colo na ausência que trago

e o trago não cura o afago afogado entre os dedos
em segredo , entrelaçados no desespero dos fios desalinhados...
no reflexo dos espelhos.
Escondido o olhar entre as mechas do cabelo
eu apelo: revelo-te na íntegra nosso relevo.
Três letras ,três pontos perspontando etceteras
o encontro crucial da tua ausência crua,nua e presente entre os meus pêlos


                 

                                   ( M. Almeida ) 




                                                 
                      

Rumo



Da voz insone
à ausência que consome
é pura fome
disforme no vazio enorme
no escuro da mente
É a urgência dormente
quem primeiro pressente
que o caminho mais rápido  
está logo à frente
quase atrás desses lados mais áridos
que fingem passos mais fortes
 afugentando as palavras
que tateiam os lábios em dança
provisória que bebe nossa demora
em forjar a aliança mais forte
entre a lança que rasga o segredo
 projetando  a seta que segue
direto ao alvo sem rumo da sorte

   
                   ( M. Almeida )